sábado, 16 de maio de 2015


 Como a música nos vem, assim num mar de nós próprios, num oceano profundo de não nos sabermos. E toma de nós, tudo, a respiração, o tempo, a vida. Quase que pára o coração numa estranha embolia vital.

                                         


Lena Herzog, panoramas

outros são agora os dias
esqueletos de sonhos afundados
não do que sentia do que via
nem da mão que acaricia

tão só o imenso pó
que na casa desabitada crescia

2015, j

Rachmaninov - Trio élégiaque n°2 op.9 - Kogan / Luzanov / Svetlanov
https://youtu.be/UC-jip4cJCs

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Pode a vida voltar incólume ao berço donde saiu? Pode a vida abrir remanescer, renascer no seu próprio desvanecer-se?
Pode a vida abrir em cada instante mais do que nela se perde?

Andrey Remnjov

música
Beautiful and Pensive Gusli Solo
https://youtu.be/6v_ktzgIitY

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Tale Of Tales Part I







In painting “everything is on the degree
of disappearance of reality and the return to it.”
Yuri Norshtein

As palavras arrasam
                                os últimos olhares
                                algares sombrios 

no polegar há uma curva de dor
e o poder de quem enforca

nada resta senão a estranha 
gadanha das sombras no rosto


2015


Andrey Volkov,  Avaria, 1978

terça-feira, 10 de março de 2015

Abro feridas por todo o corpo.
Insanidade de viver contra si mesmo, de anavalhar a vida, como se fosse um animal selvagem.
Quero partir e levar nada dentro de mim. Nem o simples olhar que em ti recolhi!
Ser mendigo que adivinha na esmola a razão mortal de nada receber.
Quero ter nas veias o inferno
o brutal aluímento dos teus dedos!







Konstantin Istomin








Alexander Vertinsky